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Notícias » 28/07/2010
A sustentabilidade do debate eleitoral
 

Por Sérgio Besserman Vianna e Rodrigo Rosa*


Durante a campanha eleitoral, candidatos a cargos no Executivo e no Legislativo apresentam suas biografias e propostas aos eleitores. A sociedade espera consistência e clareza nas proposições dos postulantes às funções públicas eletivas. Entre os diversos temas, um deles não pode estar ausente da pauta e dos programas dos candidatos: o desafio do desenvolvimento sustentável.

Vivemos um momento da História marcado pela descoberta e a consciência crescente de que as atuais formas de produzir e consumir são insustentáveis. A 15ª reunião da Conferência das Partes para o Clima (COP) da ONU, em Copenhague, em dezembro passado, foi um momento importante desse processo.

A opinião pública seguiu o andamento das negociações e as principais lideranças mundiais compareceram pessoalmente às reuniões. O resultado prático ficou aquém do esperado, mas marcou uma mudança na compreensão do impacto das mudanças climáticas para o futuro da civilização.

Os três principais candidatos a presidente da República, Marina Silva, José Serra e Dilma Roussef, estiveram em Copenhague, sensíveis à dimensão política e à relevância do tema.

Foi um gesto importante, mas é necessário aprofundá-lo. Sustentabilidade não pode ser apenas uma palavra simpática. O que se espera dos candidatos é que incorporem o discurso às práticas e aos compromissos de campanha e demonstrem a consistência de seu conteúdo com o programa de governo.

O desafio do desenvolvimento sustentável não pode ficar restrito à agenda ambiental e dissociado das demais questões, como a competitividade da economia, a política energética, o combate à pobreza e o futuro das cidades. A transição para uma economia de baixo teor de carbono vai determinar uma das mais aceleradas transformações tecnológicas da história econômica.

A natureza da inserção competitiva do país na economia mundial, seu peso político na governança global e a qualidade de vida futura da nossa população dependerão muito de como o Brasil se situará nesse contexto.

Muitas empresas e parte do mercado consumidor estão à frente do mercado político na compreensão da importância do tema.

Empresas líderes em seus mercados têm transformado seus processos produtivos incorporando práticas sustentáveis. As estratégias são as mais diversas e compreendem desde a redução do impacto ambiental de suas atividades à incorporação de conceito de sustentabilidade em seus produtos. E cresce o destaque dado ao tema nas escolas de negócios em todo o mundo.

Mundo afora, os debates eleitorais mostram essa tendência. As mudanças climáticas estiveram entre os temas mais destacados na última campanha presidencial dos EUA, mesmo em tempos de crise econômica e de agenda movimentada no front externo, com as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Na Europa e na América Latina, o tema tem ganhado destaque. No Brasil, a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como alternativa eleitoral às principais forças políticas, coloca o tema, desde o primeiro momento, no centro do debate.

Duas grandes crises políticas nos EUA tiveram origem em desastres ambientais. O recente vazamento de óleo no Golfo do México tem sido destacado pela opinião pública como marco do momento difícil pelo qual passa o presidente Barack Obama e é comparado aos danos do furacão Katrina, que arrasou Nova Orleans e seu antecessor.

A relevância do debate é ainda maior para o Brasil. A discussão sobre a exploração do présal, por exemplo, não pode negligenciar a nova realidade evidenciada pelo desastre no Golfo do México. Temas fundamentais como a reforma do código florestal, o modelo de geração energética, o sistema de transporte das grandes cidades e muitos outros ficam desprovidos de visão estratégica se tratados fora do debate sobre o desenvolvimento sustentável.

As oportunidades são imensas para o Brasil.

Temos grandes vantagens comparativas na transição para a economia de baixo teor de carbono.

A biodiversidade é um de nossos maiores patrimônios e esse é o campo mais propicio à afirmação do protagonismo internacional do país. Em 2012, seremos palco de uma nova conferência mundial sobre o desenvolvimento sustentável, no Rio de Janeiro, que possivelmente irá mobilizar esperanças em todo o mundo.

Senhores candidatos, queremos ouvi-los.

*Sérgio Besserman Vianna é presidente da Câmara Técnica de Desenvolvimento Sustentável da Prefeitura do Rio de Janeiro e Rodrigo Rosa, assessor especial da Prefeitura do Rio de Janeiro

fonte: Envolverde / O Globo

 
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